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PROGRAMAÇÃO


Abril DE 2018


07 de abril
sábados PerVersos


14 de abril
lançamento


18 de abril
lançamento


19 de abril
lançamento



A B R I L


07 de abril (sábado) 11h 

 

07 de abril, das 11 às 13h

A coordenação deste encontro estará a cargo das poetas Dalila Teles Veras e Deise Assumpção e dará seguimento à abordagem “Mulheres – Poesia, Claustro e Erotismo – Amor Humano / Amor Divino – Séculos XII, XVI e XVII, revistos em Novas Cartas Portuguesas, 1971” assunto apresentado por Dalila no encontro do mês de março passado

.

 

"Sábados PerVersos - A Poesia em Questão", projeto de leitura crítica de poesia entra no seu quarto ano. Os encontros mensais ocorrem interumptamente desde novembro de 2014, contando sempre com um grupo interessado e interessante de pessoas que leram, discutiram, promoveram, escreveram e publicaram poesia.  É, sem dúvida, nosso projeto mais exitoso dos últimos anos.

Informamos que a partir de agora, por problemas de acerto de agenda da livraria, os encontros passam a ocorrer no primeiro sábado de cada mês. No resto, o formato e o horário são os mesmo. Um coordenador diferente para cada encontro e entrada franqueada a qualquer interessado, sem nenhum pre-requisito.





14 de abril  (sábado) 11h 

 

“A literatura perdida da região do Grande ABC”,

palestra do Prof. José de Souza Martins, seguida de apresentação do livro Moleque de Fábrica – Uma Arqueologia da Memória Social, Memórias

 

Alguns temas em busca de um autor

na literatura perdida do Grande ABC

 

José de Souza Martins

 

É preciso distinguir literatura e arte do ABC de literatura e arte no ABC. Esta última é representada pelas obras de autores vinculados ao ABC ou nele residentes ou, mesmo, nele nascidos. Nesse sentido, o ABC é, historicamente, o “lugar do outro”, de imigrantes e de migrantes, um cenário de consciência de desenraizamento que, por sua vez,  é propício ao florescimento da literatura e das artes.

Em relação à primeira, é possível falar mais numa literatura potencial do que numa literatura realizada. As obras que não foram escritas. Trata-se dos temas à procura de um autor. Como na peça de Luigi Pirandello, “Seis Personagens em Busca de um Autor”.

Na “Formação da Literatura Brasileira”, Antonio Candido fala em “lugar de literatura”. Nem todos os lugares são lugares de literatura. Diferente das várias regiões do Nordeste que inspiraram obras importantes da literatura brasileira. Ou o sertão do Nordeste e de Minas, que inspiraram obras decisivas da nossa literatura. Ou o Rio Grande do Sul, a Amazônia, ou o subúrbio do Rio de Janeiro. A S. Paulo central, lugar de colheita dos frutos dourados do café, está por trás de obras como a de Oswald de Andrade e de Mário de Andrade. E, na nostalgia residual do mundo tradicional e agrícola, obras como a de Tarsila do Amaral.

O que é hoje delimitado como região do Grande ABC não se destacou como lugar de um imaginário artístico e literário peculiar e inspirador. No entanto é região de momentos de singularidades que poderiam ter sido fontes motivadoras de criação literária legítima e pertinente. A transformação da região em lugar da inauguração experimental do trabalho livre viabilizado pela imigração estrangeira contém uma história de tensões, dramas e mesmo tragédias de grande comportam a invenção criativa na literatura e na arte. A transformação da região em grande centro industrial, o lugar do que entre nós foi, propriamente, a sociedade de classes, propôs temas que poderiam ter tido sua expressão em romances, contos e obras de arte.

Luiz Sacilotto, que teve formação profissional como operário qualificado, dotado portanto de um imaginário que expressa diretamente as revelações e inspirações da linha de produção nas formas propostas pelas rebarbas do processo produtivo. Aquilo que pode ser compreendido no que o sociólogo e filósofo Henri Lefebvre chama de insurreição dos resíduos.

 

 

 

 

Moleque de fábrica

 

Numa manhã de verão de 1976, a inesperada descoberta de um incesto em suas origens desvendou para o autor o sentido de uma vida de silêncios e distâncias na história de sua família de imigrantes e trabalhadores. Foi o que o desafiou à aventura de uma autobiografia interpretativa. Uma arqueologia da memória coletiva em suas lembranças pessoais.

É incomum que profissionais das ciências humanas escrevam e publiquem livros de memórias, sobretudo pelas dificuldades para que se ponham diante do espelho e se vejam na imprescindível alteridade. No caso do autor deste livro, no entanto, sua história pessoal é marcada por episódios do que Peter Berger conceitua como alternação biográfica, momentos de ruptura no destino, inflexões que geram estranhamentos propícios à descrição e à interpretação sociológica da própria história. Os muitos que há numa única pessoa.

Há um realismo fantástico na cultura popular, que não é apenas criação literária de grandes autores, como Gabriel Garcia Marques, em Cem Anos de Solidão, ou Manuel Scorza, em Bom Dia para os Defuntos. O autor foi socializado nas experiências e nas concepções desse imaginário. Como na sombria feitiçaria de um padrasto que queria tornar-se invisível para atravessar as incógnitas de sua alienação operária e decifrar os fundamentos de suas atribulações do lado de lá do visível, as de um caminhar penoso para chegar a lugar nenhum. Foi o que estimulou o autor a adotar, no livro, uma obra de não-ficção, o recurso literário da estrutura do conto e o estilo do contador de causos que aprendeu com sua avó paterna analfabeta.

 

Autor

José de Souza Martins é sociólogo, professor titular aposentado de Sociologia da Universidade de São Paulo, Pesquisador Sênior do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Fez o bacharelado e a licenciatura em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, onde também fez o mestrado e o doutorado em sociologia e a livre-docência em Sociologia da Vida Cotidiana. Fellow de Trinity Hall, foi Professor da Cátedra Simón Bolivar da Universidade de Cambridge (Inglaterra), professor visitante da Universidade da Flórida (EUA) e da Universidade de Lisboa. É Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Professor Honoris Causa da Universidade Federal de Viçosa (MG), Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba, Doutor Honoris Causa da Universidade de São Caetano do Sul. Recebeu vários prêmios e distinções acadêmicos, dentre os quais o Prêmio Érico Vannucci Mendes, do CNPq (1993), o Prêmio Florestan Fernandes, da Sociedade Brasileira de Sociologia (2007) e três vezes o Prêmio Jabuti de Ciências Humanas, da Câmara Brasileira do Livro.   

A realidade histórica e social da região do ABC, a região industrial de São Paulo,  tem sido objeto de vários de seus livros de sociologia, dentre eles Subúrbio (Fundação Pró-Memória/Hucitec, 1992; Prêmio Jabuti de 1993), A Sociabilidade do Homem Simples (Contexto, 2013),  A Aparição do Demônio na Fábrica (Editora 34, 2008; Prêmio Jabuti de 2008) e este Moleque de Fábrica.

Em 2015, foi eleito para a Cadeira nº 22 da Academia Paulista de Letras, que fora ocupada antes  por Ruth Guimarães e Inezita Barroso.

 

Data: 14 de abril de 2018 (sábado)
Horário: 11h


Local: 
Alpharrabio

           Rua Dr. Eduardo Monteiro, 151

           Santo André – SP – Tel. 4438-4358




18 de abril (4ª feira) 18h30 

 

CONVERSA DE LIVRARIA
com Lau Siqueira,

sobre seu livro a memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas,

seguida de sessão de autógrafos.

 

Sobre o livro

A POESIA DAS INUTILIDADES NECESSÁRIAS

 

A memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas, de Lau Siqueira, marca o leitor pela quebra de expectativas provocada por seus poemas. Profícuos em imagens que trocam os móveis da casa de lugar sem aviso, os textos do autor gaúcho subvertem um modo de pensar linear, cumprindo o papel máximo da poesia. Com uma poética musical e inventiva que ousa na variação da forma, o poeta articula o não dito e o dito em versos nos quais o espaço em branco complementa o que as palavras sussurram/falam/gritam.

A obra é constituída de duas partes e, inicialmente, apresenta poemas em que prevalece a liberdade da forma em consonância com a abertura suscitada pelo conteúdo. Depois, com tercetos, propõe uma forma exata para apresentar uma visão de mundo voltada ao agora e sua poeticidade, convidando-nos à celebração do "acaso e suas delícias".

Essencialmente, os poemas versam sobre a passagem do tempo, a incompletude humana e as contradições da vida contemporânea, como muito bem sinalizam as palavras da dedicatória em que o autor afirma que "mais um livro de poemas, neste momento, significa investir na perenidade das incertezas". Nesse sentido, a leitura de Lau Siqueira nos coloca diante da única certeza que podemos ter, que é a da impermanência que nos constitui. Ao modo tão apreciado por Manoel de Barros, sua poesia nos ajuda a olhar para as insignificâncias ou, como diz o próprio poeta, para as "inutilidades necessárias".

Contemplando temas como a memória, a cidade, o amor e o corpo, Lau Siqueira edifica uma poesia de caráter filosófico e também sensorial. Seus poemas são corpos que ora instauram o devaneio que se traduz em saber, ora incitam sensações que reafirmam a natureza erótica da linguagem. Ao mesmo tempo em que provoca um pensar atemporal sobre nosso estar no mundo, sua escrita utiliza elementos da modernidade para refletir sobre as relações sociais, nas quais o sujeito perde suas referências e sua ligação primordial com a natureza.

Por todos os aspectos apontados e, principalmente, por se tratar de uma visão sensível e necessária do fluir da corrente que é o tempo e a própria vida, vale muito a pena ler A memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas.

 

Cinara Ferreira
Professora de Teoria Literária
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

 


O autor

Lau Siqueira nasceu em 1957, em Jaguarão (RS), e reside há trinta anos em João Pessoa (PB). Seu primeiro livro foi “O comício das veias” (1993), seguido por “O guardador de sorrisos” (1998), “Sem meias palavras” (2002), “Texto sentido” (2007). “Poesia sem pele” (2011) marca o início da parceria com a editora porto-alegrense Casa Verde, que prossegue com “Livro arbítrio” (2015) e este “a memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas”. Participou de antologias como “Na virada do século – poesia de invenção no Brasil” (2002, organização de Frederico Barbosa e Cláudio Daniel), “Moradas de Orfeu” (2011, organização de Marco Vasquez), “Bicho de siete cabezas” (2013, Argentina, organização de Martin Palacio Gamboa), “A arqueologia da palavra e a anatomia da língua” (2012, Moçambique, organização de Amosse Mucavele) e “Poemas que escolhi para crianças” (2013, organização de Ruth Rocha). Atualmente, é Secretário de Estado da Cultura da Paraíba.

 

Serviço:

 

Data: 18 de abril de 2018 (4ª feira)
Horário: 18h30


Local: 
Alpharrabio

           Rua Dr. Eduardo Monteiro, 151

           Santo André – SP – Tel. 4438-4358

 

Conversa de livraria e lançamento

 

Título: a memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas
Autor: Lau Siqueira
Gênero: Poesia
Páginas: 88 p.

Formato: 12cm X 18cm
ISBN: 978-85-9906-33-30
Projeto gráfico: Roberto Schmitt-Prym
Desenho da capa: Bianca Santini, grafite sobre papel, 40×59 cm, 2015
Revisão: Press Revisão
Editora: Casa Verde
Preço de capa: R$ 32,00

 




19 de abril (5ª feira) 18h30 

 

19 de abril, das 18h30 às 21h

CONVERSA DE LIVRARIA
 

Conversa de Livraria sob o tema “Ditadura, Comunicação, Literatura e Justiça de Transição” com Eduardo Reina, jornalista, escritor e Oswaldo Oliveira Santos Junior, diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política.

A seguir, apresentação e autógrafos do livro “Depois da rua Tutóia”, de Eduardo Reina

 


A ditadura sequestrou bebês?
Por que o Brasil não investigou esse tema?

 

"Depois da Rua Tutoia", do jornalista Eduardo Reina, envolve personagens reais e de ficção para falar desse momento histórico e sua consequência na vida das pessoas até hoje

 

 

O Brasil teve bebês sequestrados por agente da ditadura? Havia maternidades clandestinas, como nos países vizinhos, durante os anos de chumbo? Houve algum caso de bebê roubado de mães que lutaram contra a ditadura e entregue a empresários que financiaram o regime de exceção? São perguntas ainda sem respostas na história do Brasil. E nenhum governo civil após os chamados anos de chumbo ousou determinar uma investigação sobre esses temas. Trata-se de uma questão ainda não resolvida da ditadura brasileira e na memória do país.

O jornalista Eduardo Reina pesquisou o tema e relata um caso emblemático, o único registrado oficialmente: é o de Lia Cecília da Silva Martins, empresária de 41 anos (segundo registro feito pelos pais adotivos) que hoje mora no Rio de Janeiro. No início da década de 1970, ela foi sequestrada ainda bebê e levada para um internato na cidade de Belém por dois militares que atuaram contra a guerrilha no Araguaia. Acabou adotada por uma família paraense, que desconhecia a origem da criança.

Paralelamente à pesquisa, Eduardo Reina escreveu um livro que conta a triste e violenta história do sequestro de bebês por agentes da repressão na ditadura no Brasil – e como essas pessoas viveram depois desse conturbado período. Todos os personagens são baseados em histórias reais de pessoas que viveram, lutaram contra, sofreram ou apoiaram a repressão nos anos de chumbo. São as histórias de Margareth e José Eugênio, Theóphilo e Cláudia Prócula, e principalmente de Verônica, personagens criados no livro "Depois da Rua Tutoia" (11 Editora).

É uma ótima base para debates sobre esse momento da história. Afinal, o sequestro de filhos e filhas de militantes de esquerda durante os anos da mais recente ditadura brasileira e entregue a outras famílias, uma ação muito usual nos países do Cone Sul, principalmente na Argentina, também aconteceu no Brasil.

E qual a razão de não ter havido investigação sobre esse doloroso, mas presente, tema da história brasileira, durante os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade? E se houve alguma busca, por que não foi levada adiante?

 

Depois da Rua Tutoia. O livro de Eduardo Reina é uma obra romanceada com base na história contemporânea do Brasil. Há personagens criados pelo autor e personagens reais que interagem, contando os fatos ocorridos na época e chamando a atenção do leitor para importantes fatos do cotidiano da época.

O romance começa mostrando a vida de Margareth e José Eugênio, militantes de esquerda que lutaram contra o regime de opressão na década de 1960. O casal criou uma célula de resistência no município de Mauá, região do ABC paulista, e trabalhou numa fábrica de porcelana. A mesma onde o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, foi funcionário naquela década.

Juntos com membros da Igreja Católica organizaram os operários e moradores pobres da região. Mas foram localizados por agentes da repressão. Margareth ficou presa no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), na Rua Tutoia, na capital paulista, centro de prisão e tortura durante as décadas de 1960 e 1970.

A história criada por Eduardo Reina mostra o que aconteceu com a militante presa e a filha que teve no cárcere. São as vidas desenvolvidas depois da prisão no DOI-Codi da Rua Tutoia.

A bebê é entregue a um poderoso e influente empresário paulista, que comandava um grupo financiador de movimentos de repressão, principalmente os clandestinos. A menina cresce e começa a vivenciar uma série de problemas na família adotiva.

Com o passar do tempo, Verônica sai à busca de sua verdadeira origem, enquanto a mãe biológica, morando na Europa, desenvolve pesquisa e trabalhos acadêmicos com famílias de desaparecidos políticos.

Verônica é uma alma atormentada, aprisionada à história, ou à falta de história. Passa a vida à busca da verdade.

 "Depois da Rua Tutoia" mostra idealismo, corrupção, tortura, amor, traição, ódio e a convivência entre o bem e o mal escondidos na alma dos homens e na história do Brasil durante aquele período. Com consequências inimagináveis que persistem até hoje, mais de 30 anos após o fim da ditadura.

"A ficção é a narrativa que contesta o mundo.” Salman Rushide, escritor anglo-indiano.

 

Sobre o autor

 

Trabalhou em vários jornais, revistas e periódicos, rádios e televisão em São Paulo e no interior, desde 1983. Atuou como diretor de redação, editor, colunista e repórter. Também foi assessor de imprensa de entidades, empresas e sindicatos. Ganhou vários prêmios de jornalismo como o Abril, o Estado e o Imprensa Sindical. Este último proporcionou fazer curso de complementação na Organização Internacional do Trabalho (OIT) na Suíça, em 1993. Em 2010, seu blog venceu o prêmio Estado. No mesmo ano também foi menção honrosa no prêmio Excelência Jornalística da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Autor do livro de contos policiais "No Gravador" (2003). Integrante dos livros "O Conto Brasileiro Hoje", Volume 5 (2007) e "Contos e Casos Populares" (introdução de Paulo Freire) (1984). Também atuou como ghost-writer em livro-biografia nos últimos anos.

 

Mais informações:  e-mail edu.reina@hotmail.com

Serviço:

 

Data: 19 de abril de 2018 (5ª feira)
Horário: 18h30


Local: 
Alpharrabio

           Rua Dr. Eduardo Monteiro, 151

           Santo André – SP – Tel. 4438-4358




 horário de funcionamento

de segunda/sexta, das 13 às 18h30

sábado, das 9h30 às 12h30

 

ATENÇÃO

Nosso endereço:
 Rua Eduardo Monteiro, 151 - Jd. Bela Vista
Santo André - SP - Brasil

Fone: (11) 4438.4358 - e-mail: alpharrabio@alpharrabio.com.br

www.alpharrabio.com.br

 

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