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ABC DO BRASIL

“ABC DO BRASIL - Registros da caminhada operária” 

(debate e exposição)

Data: 11.11.02 - Horário da abertura, seguida do debate: 18,30h.

Visitação da exposição: de 2a. a sábado, das 10h às 19h, até 29.11.02

Exposição

“ABC do Brasil – Registros da caminhada operária”

Idealização: Dalila Teles Veras - Painéis (arte):  Isabela A. T. Veras

Quadros: Vado do Cachimbo - Fotos: Fernando Ferreira

Execução: Equipe Alpharrabio/Fabricando Idéias - (Luzia Maninha - seleção de textos; Damara Bianconi e Isabela A. T.Veras)  

 


ABC DO BRASIL Registros da caminhada operária

 A idéia da exposição e desta mesa de debates, deu-se logo após a  escolha do ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República e do interesse despertado pela região por parte de toda a impressa nacional, inclusive por televisões e jornais estrangeiros.

Para nós, bem como para várias das pessoas aqui presentes, que sempre nos preocupamos com a preservação do patrimônio histórico e cultural da região, pesquisando, preservando e, sobretudo, alertando e cobrando permanentemente das instituições locais, medidas visando a intensificação de políticas públicas que contemplem de maneira satisfatória a preservação do nosso patrimônio, esse fato não só veio reforçar essas convicções, como também refletir cada vez mais sobre a riqueza de nossa história local, bem como a sua importância dentro do cenário nacional, muito em especial neste momento histórico de profundas transformações políticas e sociais.

Apesar de a região dispor de centros de documentação da história, de museus e de outros acervos, a importância da história do trabalho, marca poderosa de nossa região, ainda não foi devidamente valorizada por essas instituições, que, por sua vez, e certamente por falhas de divulgação, também são muito pouco conhecidas pela comunidade local, apesar de alguns meritórios esforços isolados de torná-las mais conhecidas e atuantes.

A Livraria Alpharrabio que desde 1995 mantém em suas dependências o ABCs – Núcleo Alpharrabio de Referência e Memória, um acervo aberto à comunidade para pesquisas, com algumas centenas de livros e documentação sobre a região do Grande ABC, inclusive sobre  a história do trabalho na região e bibliografia sobre o presidente eleito, além de uma boa hemeroteca com notícias sobre sua trajetória sindical e política, entre outros muitos livros e recortes sobre as lutas trabalhistas regionais achou por bem promover este evento com a finalidade de chamar a atenção para uma profunda discussão a respeito do problema da preservação dessa memória.

Fazem parte da exposição que hoje inauguramos, mais de três dezenas de livros do acervo do Núcleo Alpharrabio de Referência e Memória, figurando, inclusive, a sentença da 2a. Auditoria Militar, condenando Lula e outros diretores do Sindicato de S.Bernardo e Santo André a penas variadas, dentre as inúmeras pastas da hemeroteca sobre o movimento operário, além de várias publicações da imprensa alternativa da época que poderão ser consultadas pelos visitantes.

O objetivo deste evento é justamente o de chamar a atenção para a importância da preservação do nosso patrimônio histórico, arquitetônico e cultural, muito em especial para a memória da história do trabalho, bem como alertar, uma vez mais, as administrações públicas das 7 cidades, sobre a importância desse assunto, incluindo a história e a literatura locais nos currículos escolares e dando condições, através de políticas públicas adequadas e transparentes, para que os serviços dessa área sejam, além de cumprirem sua missão de preservar, mais atuantes e se transformem em verdadeiros pólos de discussão e difusão de idéias.

Além de toda uma simbologia em torno da eleição de um ex-operário metalúrgico da região para ocupar a presidência da República, há exatos 3 anos, exatamente no dia 11.11.99, numa sincronicidade surpreendente, Luiz Inácio Lula da Silva comparecia ao Alpharrabio para prestigiar o lançamento do livro Em Busca dos Companheiros, de Antonio Possidonio Sampaio, advogado e escritor que, por sempre acreditar na vitória dessa trajetória, preocupou-se desde o seu início em registrá-la literariamente.

Convidamos para debater esse assunto, nomes ligados à memória regional e essa trajetória operária, O jornalista Ademir Medici, que há 15 anos mantém uma coluna no Diário do Grande ABC sobre memória, que publicou em co-autoria com Suely Pinheiro, o livro “1° de Maio e os principais momentos da luta sindical em São Bernardo: 1902-1990”, mas que acaba de nos comunicar que está impossibilitado de comparecer, Luis Flávio Rainho, professor aposentado da Universidade Federal de Juiz de Fora e o ex-metalúrgico Osvaldo B. Vargas, co-autores do livro As Lutas Operárias e Sindicais dos Metalúrgicos em SBC; Antonio Possidonio Sampaio, autor de vários livros sobre os metalúrgicos da região, destacando-se Lula e a Greve dos Peões, sobre a greve de 1979 dos Metalúrgicos do ABC, a Capital do Automóvel e em Busca dos Companheiros.

Texto lido por Dalila Teles Veras na abertura do debate ABC doBrasil – Registros da Caminhada Operária, no dia 11.11.02, no auditório da AlpharrabioLivraria  

 


CARTA ALPHARRABIO *

 A partir de 1978, ainda sob o regime da ditadura militar,  na região mais industrializada do país – o ABC paulista – onde as contradições entre o capital e trabalho apareceriam de forma mais explícita, os trabalhadores ressurgiram no cenário nacional com manifestações e reivindicações próprias que iriam repercutir em toda a vida da nação.  

Os metalúrgicos do ABC afirmaram-se, veementemente, no cenário político brasileiro, como expressão do novo e como exemplo de participação decidida dos trabalhadores empenhados na construção de sua própria História. Hoje, nesse inicio de século, o movimento sindical conquistou espaço e respeitabilidade, como instituição da sociedade civil, jamais visto anteriormente em toda a história do país, culminando com a eleição de sua principal liderança, Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil.  

Investigar, preservar e socializar a memória dos trabalhadores metalúrgicos do ABC paulista, como se representam e são representados, procedendo simultaneamente à reflexão teórica e metodológica dos elementos que os diversos códigos fornecem, como o verbal, o escrito, o iconográfico, e outros, e ao próprio real, constitui um desafio que diz respeito a própria preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural da região, muito em especial para a memória da história do trabalho. Alertar,  uma vez mais, as administrações publicas das 7 cidades do ABC,  sobre a importância desse assunto, incluindo a história e a literatura locais nos currículos escolares e dando condições, através de políticas públicas adequadas e transparentes, para que os serviços dessa área sejam, além de cumprirem sua missão de preservar, mais atuantes e se transformem em verdadeiros pólos de discussão e difusão de idéias. 

Para aqueles que sempre se preocuparam  com o patrimônio histórico e cultural da região, pesquisando, preservando e, sobretudo, alertando e cobrando permanentemente  das instituições locais, medidas visando a intensificação de políticas públicas que cuidem  de maneira satisfatória  a preservação do patrimônio, viram com satisfação que a eleição de LULA Presidente, despertou extraordinário interesse pela região por parte de toda a imprensa e televisões nacionais e estrangeiros, além de inúmeros estudiosos e pesquisadores.  

Apesar de a região dispor de centros de documentação da história, de museus e de outros acervos,  a história do trabalho, marca poderosa desta região, ainda não foi devidamente valorizada por essas instituições,  que, por sua vez, e certamente por falhas de divulgação, também são muito pouco conhecidas pela comunidade  apesar de alguns meritórios esforços isolados de torná-las mais conhecidas e atuantes, razão pela qual as pessoas reunidas na Alpharrabio Livraria e Editora, em Santo André, no dia 11 de novembro de 2002, após ouvirem exposições de especialistas sobre os “Registros da Caminhada Operária”, e procederem ao subseqüente debate,   decidiram desencadear um movimento no sentido de recuperar e preservar a memória do trabalho na região do grande ABC paulista, propondo a união de todos os esforços públicos e privados para a consecução desse objetivo.

Santo André, 11 de novembro de 2002

Alpharrabio Livraria e Editora

 Assinaram o livro de presença da reunião:

 Antonio Possidonio Sampaio, Luiz Flávio Rainho, Dalila Teles Veras, Hildebrando Pafundi, Anna Beatriz H. C. Zanei, Osmar Zanei, Silvia Maria H.C. Zanei, Tarso M. de Melo, José Duda Costa, Cecília Auxiliadora B. Camargo, Edson Bueno de Camargo, Filadelfo B. de Souza, José Carlos de Souza, Philadelpho Bráz, Silva Helena Carrasqueira, Fernando de A. Galuzzi, Daniel de Castro, Patricia Augusta Corrêa, Isabela A.T.Veras, Carolina A.T.Veras, Valdecírio Teles Veras, Marcelo F. de Toledo, Antonio Assunção da Cruz, Mario Galuzzi, Angêla Maria de Alvarenga, Elesbão Galuzzi, Vado do Cahimbo, Luzia Teles Veras, Arturo Peduzzi, Alexandre Takara, Adão Francisco Coelho, Maria Lúcia J. Barbosa, Sérgio Canova, Wilma Lima e Júlio M. S. Filho

* documento resultante do debate ABC DO BRASIL Registros da caminhada operária, realizado no dia 11.11.2002

atividades de 2002

Mudam os tempos mas não
muda nossa vontade

 

Após alguns meses de quebradeira, pó, reconstrução, finalmente podemos oferecemos aos amigos e freqüentadores um Alpharrabio remoçado, a comemorar os seus 10 anos de existência. Não se trata de um novo Alpharrabio, mas de um Alpharrabio melhorado em suas instalações e aprofundado em seus conceitos. O espaço físico ficara pequeno e vivíamos um impasse: estagnar ou crescer. Optamos por crescer e dar um pouco mais de asas ao sonho. Criamos uma ampla sala de múltiplo uso, onde serão realizadas todas as atividades artísticas, remodelamos todo o interior da livraria, oferecendo mais conforto, inclusive com um espaço criado especialmente para os pequenos leitores, com livros e atividades adequados à sua idade, além de um aconchegante Café.

Ao contrário de muitos casos conhecidos de centros culturais, teatros e casas de cultura construidos faraonicamente para que só depois se pense o que fazer com eles, o Alpharrabio é um resultado natural de um processo de ação cultural constante, foi sendo construído ao andar. Intuíamos que, ao propiciar o encontro, criaríamos condições propícias à troca e à ação cultural.

Eleitos os temas, as atividades da programação foram adequadas às características físicas do local. O objetivo principal sempre primou pela invenção permanente, através de discussões, oficinas, circulação de idéias e realização de projetos.

As atividades jamais foram simplesmente dirigidas a pessoas, mas procuraram o envolvimento delas, o compromisso com a arte e a cultura e, muito em especial, com a arte, a cultura e a memória local.

O nosso papel de fomentadores e agitadores culturais não é o de solucionar crises, mas, isto sim, o de pôr em crise, através da reflexão e do debate de idéias. Ação cultural sempre foi, para nós, um constante desassossego e inconformismo com o status quo estabelecido, desafiando (como queria o poeta) "o coro dos contentes". Propomo-nos também como uma alternativa ao lazer não massificado, oferecendo opções artísticas trazidas dos escaninhos mais recônditos e insuspeitados Dessa forma, a total rejeição a tutelas e atrelamentos (quer no plano das idéias, quer no plano financeiro) sempre foi um dos lemas mantidos e preservados com zelo e rigor.

10 anos, dirão alguns, representam tão pouco na História.
 10 anos, diremos nós, trilhados sem alarde, mas com rigorosa constância e permanência, registrando, publicando, guardando, apontando, revelando, apoiando a cultura local, propiciando a troca com vozes além fronteiras, estabelecendo parcerias intelectuais e cumplicidades na manutenção de utopias, não representam uma mera fração no tempo, mas uma fatia, um recorte na nossa própria história local, um espelho, quem sabe, onde nos possamos mirar no futuro e reencontrarmos migalhas que ajudem a formar o bolo da memória.

Queremos deixar aqui patenteada a nossa gratidão aos escritores, músicos, pintores, fotógrafos, artistas de teatro e leitores anônimos que por passaram pelo Alpharrabio, como simples compradores de livros ou partícipes nas mais de 450 atividades realizadas nos últimos 10 anos e que formaram fileiras de resistência à mediocridade, ao empobrecimento da arte e da cultura do simulacro, produto típico dos meios de comunicação de massas.

Um sonho não tem preço e resolvemos pagar para ver. Venha conferir e partilhar conosco esta idéia. Se puder, propague-a, agregando um pouco mais de asas a este nosso voar.

Dalila Teles Veras

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O ANO DE 2002

 

O ANO DE 2002 no Alpharrabio foi curto (ano do 10° aniversário e das respectivas comemorações, ano de reformas e balanços, iniciado em 16 de agosto último), mas de intensidade incomum.

Somam 45 as atividades de brevíssimo período (16.8 a 4.12), ou seja, média de 3 por semana, abrangendo as mais diversas manifestações artísticas, como música, teatro, artes visuais, literatura e debates de idéias, sempre com um público entusiasta e permanentemente renovado. Ainda assim, o que menos importa neste caso é a quantidade, mas a qualidade desses eventos, o valor agregado e os seus desdobramentos em novos projetos e discussões.

Em tempos de crise econômica a resposta é pôr cidadãos em crise de pensamento, encontrar saídas pela reflexão e pela arte. Assim acreditamos, assim fazemos, por comprometimento e por fé numa possível mudança radical no seio de nossa sociedade, pela via da cultura. Esta é a parte que nos cabe no imenso latifúndio da responsabilidade social. Prosseguiremos porque não mais nos é dado parar. Prosseguiremos porque você é nosso cúmplice e parceiro e o Alpharrabio já é um bem comum da cidade e do ABC, região que, não é de agora, está inserida na vanguarda brasileira das conquistas sociais, políticas e (por que não?) culturais.

Lembre-se, o Alpharrabio só será auto-sustentável com a sua presença e participação. Compareça às atividades, não deixe de consultar as prateleiras recheadas de bons títulos (lembre-se: livro novo é aquele que você ainda não leu), participe, usufrua de um ambiente que respira cultura.

Por último, e não menos importante, patenteamos nosso agradecimento sincero ao colégio Singular por tornar viável este boletim.

Vemo-nos por aqui. Até qualquer hora.

 Dalila Teles Veras

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Agradecimentos especiais:

Partner Limp (4122-2258, 4122-2279)

Lustres Iriê (4990-1166)

Colégio Singular (4990-2000)

Gráfica Bartira (4123-0255)

HanPa Express Bureau (4437-2755)

Faculdades IESA (4437-9962)

Pueri Domus – Unidade Jardim (4993-5200)

Colégio Gradual (4438-4599)

Casa Paino (4438-2535)

Supritec (4451-4800)

Copiadora São Bernardo (4330-3910)

Fabricando Idéias (4427-3589)

Pelo imprescindível apoio e parcerias 
nesta trajetória de 11 anos


Alpharrabio Livraria e Editora

Diretora: Dalila Teles Veras

Coordenação:

Damara Bianconi (Artes Plásticas)
Marcos Lemes (Teatro e Música)

Comunicação visual: Fabricando Idéias

Informações:
Rua Eduardo Monteiro, 151– Jd. Bela Vista
09041.300 – Santo André/ SP
Tel./Fax: 4438.4358

E-mail: alpharrabio@alpharrabio.com.br

http://www.alpharrabio.com.br

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