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Danilo Bueno |
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Danilo Bueno |
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Intrigante. Carrega-nos para o mundo do isso, implacavelmente. Cerca-nos de objetos em si mesmos, como se essa poesia se negasse a refletir sobre o ser e o estar-no-mundo. A reflexão fica por conta do leitor, que deve empreendê-la para se libertar da opressão em que os poemas o mergulham. Verdadeiro
crivo
do olhar e de linguagem, a poética de Danilo Bueno extrai do mundo somente
os grãos significativos, mas secos, estagnados, congelados, como se a
realidade se fizesse de nódulos estanques, que negam ou ignoram qualquer
relação. Não gratuitamente, nos poemas, sintéticos, predominam
substantivos concretos, e é clara a preocupação em filtrar e escolher
cada palavra e somente as necessárias, decepando qualquer insinuação de
adiposidade. crivo
mimetiza o mundo imerso no materialismo prático, em que qualquer traço de
humanidade é sufocado. Mas a possibilidade de o humano driblar o cerco
insinua-se em índices em cada poema, como em sem
título, em que, entre canos, postes, tubos, tábuas,
escapa uma nesga de vida, mesmo que amarfanhada, em duas palavras que contêm
ressonância semântica e sonora: cansaço
e trabalho. A
metalinguagem vai deixando suas marcas ao longo dos poemas, para, no último
– montagem – ao referir-se ao próprio livro, fazer-se também dura
e crua, a partir de palavras em estado
de dicionário, transpondo para a prática, de forma radicalizada, a
expressão de Drummond. É
necessário dar o corpo a esse crivo,
deixar-se sangrar, para extrair dele – ou de nós – poesia. Professora e Poeta |
Crivo (poesia) Danilo
Bueno Formato: 12 x 20cm Alpharrabio Edições R$ 15,00
Danilo Bueno, Nascido em 1979, é natural de Mauá, onde reside. Publicou Fotografias (Alpharrabio Edições, 2001).
Fotografias (poesia) Danilo
Bueno Formato: 10 x 15cm Alpharrabio Edições (esgotado) |
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