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Danuta Dawidowicz Pokladek

  
 
Cuidar do humano

 

Danuta D. Pokladek é educadora, psicóloga, mestre em Psicologia da Saúde pela UMESP.

Há mais de 15 anos dedica-se ao estudo da fenomenologia e análise do existir, atuando como analista-existencial e supervisora nas áreas da saúde e da educação.

Atualmente é diretora presidente do PsicoEthos - Instituto Brasileiro de Pesquisas da Existência e Práticas Terapêuticas, que tem como objetivo contemplar, fundamentar, articular e sistematizar trabalhos científicos que contribuam para construção de uma ciência da existência, utilizando como caminho de investigação o método fenomenológico - existencial nas suas diversas vertentes filosóficas.

Este livro é o primeiro volume que reúne textos que evidenciam um fazer fenomenológico, inaugurando assim o registro das idéias do Instituto PsicoEthos.

A escolha do título do livro, Cuidar do Humano, evidencia a maneira como a autora concebe sua práxis.

Sensível, afetiva, inquieta e persistente nos seus ideais, não esconde suas raízes polonesas e, assim, mantém parceria com a Universidade Jagielona de Cracóvia. Possui vários textos publicados nos livros Fenomenologia e Análise do Existir (2000) e Existência e Saúde (2002), que são resultado dos encontros realizados na Universidade Metodista de São Paulo, em que é membro do FENPEC – UMESP.

Sua paixão pelo humano é denunciada neste livro, que inaugura seu sonho – o Instituto PsicoEthos.

 


 

 

CUIDAR DO HUMANO

 Experiências terapêuticas e seus sentidos existenciais

Antes de prefaciar uma obra julgo ser importante ressaltar a figura de seu autor, para avaliarmos a sua formação e competência para o que pretende expor em sua obra.

A apresentação sintética que Danuta D. Pokladek nos apresenta dela mesma, no texto publicado no livro Existência e Saúde (UMESP), é por si revelador da sua formação e competência, do ponto de vista teórico e prático, para expor as suas idéias nesta obra. Com efeito, Danuta D. Pokladek é possuidora do título de mestre em Psicologia da Saúde, obtido após o seu curso de graduação em Psicologia que lhe permitiu a prática de psicoterapeuta analista-existencial. Ela é ainda Supervisora em Psicologia Clínica e em Educação. É membro do FENPEC-UMESP e tem como parceiro o Instituto de Filosofia de Jagielona – Cracóvia, Polônia.

Criou e é diretora presidente e coordenadora geral do PsicoEthos – Instituto Brasileiro de Pesquisas da Existência e Práticas Terapêuticas, que vem agora publicar esta obra, a primeira de uma série, como parte dos objetivos do recém-fundado Instituto.

O livro Cuidar do Humano – Experiências terapêuticas e seus sentidos existenciais nos mostra como a prática terapêutica pode se beneficiar inspirando-se na fenomenologia contemporânea, principalmente de Maurice Merleau-Ponty.

É de todos conhecido que M.-Ponty, filósofo francês, inspirou-se na fenomenologia de Edmund Husserl e na hermenêutica de Martin Heidegger. No entanto, o propósito de Merleau-Ponty sempre foi o de fazer uma fenomenologia existencial que, a partir da descrição do vivido, do cotidiano, viesse a alcançar a compreensão da situação e das motivações que levaram o sujeito a vivenciar as suas experiências, dando um sentido à sua existência. Pode-se, portanto, dizer que a fenomenologia existencial de M.-Ponty é uma fenomenologia do sentido em que o sujeito, em seu agir cotidiano, expressa a sua historicidade.

É por isso mesmo que o sujeito poderá reconhecer a sedimentação da sua situação existencial como solo originário, que interliga a temporalidade e a espacialidade da sua situação vivida, quer em seu passado, no presente e no horizonte entreaberto para o futuro que poderá advir.

 

Maurice Merleau-Ponty, antes de 1953, ao assumir o magistério no “Collége de France”, foi professor na Sorbonne durante quatro anos, como titular da cátedra de Psicologia da Criança e Pedagogia. Seus cursos, publicados e traduzidos para a língua portuguesa, não são apenas críticos das diversas concepções da psicologia, da psicanálise, da educação, da lingüística, da sociologia e da história que vigoravam em seu tempo. Seus cursos seguem a inspiração da fenomenologia de Edmund Husserl, procurando ver como as ciências dos homens (aquelas por nós acima mencionadas foram objeto dos cursos de M.-Ponty), bem como a filosofia, sem perderem cada qual a sua autonomia, podem se entrecruzar, possibilitando uma compreensão mais ampla e profunda acerca do homem e de seu engajamento no mundo.

Compreender a fenomenologia existencial de Merleau-Ponty supõe o justo conhecimento da sua teoria sobre o “corpo próprio” e a sua concepção do homem como “sujeito situado no mundo”. Supõe ainda o entendimento da sua dialética tensional, no sentido de Heráclito, tal como ele mesmo o diz, das relações entre facticidade e historicidade, fato e essência, sentido e não-sentido, pré-reflexivo e reflexão.

Supõe finalmente compreender o seu propósito ao criticar a sua fenomenologia da consciência, presente na sua obra Fenomenologia da Percepção, e o seu novo propósito de buscar uma Ontologia do Sensível em que o “elemento carne” e o “ser bruto” são noções fundamentais a serem investigadas e que foram iniciadas por M.-Ponty em sua obra, inacabada, O Visível e o Invisível.

M.-Ponty afirma que a intenção de E. Husserl, desde o início de sua carreira, fora a de mostrar que era possível haver Filosofia, Ciências e Ciências do Homem, desde que elas voltassem a repensar seus fundamentos e os da racionalidade.

Esta busca nos conduziria a uma “nova elucidação de suas relações e de seus processos de conhecimento”, mostrando que elas podem coexistir, sem que uma anule a outra, bem como podem se entrecruzar.

Este papel fora assinalado por Husserl, e reafirmado por M.-Ponty, como sendo o do filósofo.

E. Husserl, nos últimos tempos da sua vida, por ocasião de suas conferências pronunciadas em Belgrado, dizia que “o filósofo é o funcionário da humanidade” – M.-Ponty interpreta esta afirmação dizendo que, com isto, Husserl quis significar que o funcionário não está a serviço do Estado, mas do homem, e que “o filósofo é profissionalmente destinado a definir e a tornar conscientes as condições de uma humanidade, isto é, de uma participação de todos a uma verdade comum”.

O problema que Danuta D. Pokladek se propõe a tratar, neste volume que o Instituto PsicoEthos ora publica, é semelhante ao de E. Husserl e de M. Merleau-Ponty.

O que ela visa é prosseguir a “intenção” desses autores na busca do verdadeiro sentido da prática terapêutica e da própria filosofia. O presente livro se insere neste contexto de fundamentação, de racionalidade e de entrecruzamento entre a teoria e a prática, ciência e filosofia, esta que, no caso particular desta obra, trata-se de ciência psicológica do homem que poderá ser melhor compreendida em seu entrelaçamento com a fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty.

 Dra. Creuza Capalbo

Doutora em Filosofia e presidente de honra da Instituto PsicoEthos

 

Alpharrabio Edições
14 x 21 cm, 80 pp.

R$ 20,00
(ensaio)

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