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Silvia Helena Passarelli |
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A ágora como matéria A cidade, desde o francês Baudelaire, no século XIX, tem sido o mote do escritor moderno, assim como a ágora era o lugar do dizer e do estar, na antiga cidade grega. Ainda que, via de regra, represente o não-lugar, a cidade dos nossos dias continua a ser o cenário de nossa literatura mais pulsante. Nas crônicas enfeixadas neste volume, Sílvia Passarelli reflete e faz refletir sobre a relação do cidadão com o lugar, recusando-se, no entanto, a aceitar esse não-direito à cidade. Ao contrário, incita, conclama o leitor a usufruir desse direito, através do conhecimento de sua própria história. Mais do que o olhar da arquiteta, é o olhar da cidadã que preza a sua cidade e dela cuida, percorrendo amorosamente suas ruas, praças, vielas, becos reais e da memória. Sílvia observa, registra e aponta: a cidade parada após as chuvas, a cidade como ponto de encontro e desencontro, a cidade ora sob a intempérie, ora sob o deslumbrante colorido de seus ipês, a cidade transformada pela velocidade, a cidade cortada pelos trilhos, regulada pelo apito do trem, cidade que separa e integra, cidade que ainda seduz. Ainda que esse olhar, aqui e ali, detenha-se em cidades distantes como Belém, São Luís ou a pequena Morro no sertão da Bahia, ou, ainda, as cosmopolitas Paris, Barcelona ou Buenos Aires, é para a sua cidade de Santo André – a misturar-se com as demais cidades que integram o chamado Grande ABC – que é direcionado o seu enfoque mais agudo, chamando a atenção do leitor para a importância da pesquisa, da organização de acervos, do resgate dos espaços públicos, da preservação da área dos mananciais e da memória futura. Nada passa despercebido ante o olhar revelador dessa flâneur que percorre a cidade a mostrar que os fatos aqui jamais ocorrem de forma isolada, apontando para a nossa tão decantada e mal entendida regionalidade. A crônica, bem sabe o leitor, ganha o status de literatura e permanece quando ultrapassa o mero registro. Silvia ultrapassa e faz destes registros boa literatura que merece ficar.
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Vitrines da Cidade (crônica) Silvia Helena Passarelli
Formato: 14 x 21cm Alpharrabio Edições R$ 20,00
Projeto gráfico e diagramação Fabricando Idéias Capa: Criação e foto Rogério Cordeiro
Silvia Helena Passarelli nasceu em São Paulo onde conviveu com as ruas da região da Sé, Ipiranga, Santo Amaro e Pinheiros. Graduada em Arquitetura e Urbanismo, transferiu seu endereço residencial e sua atuação profissional para Santo André em 1985 e passou a desenvolver projetos nas áreas de desenvolvimento urbano e ambiental e pesquisas de história urbana e patrimônio cultural. |
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