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MARÇO/
2006
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04
de março - 10 h
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OBSERVATÓRIO
DO
POEMA
2006
– o
arco
,
a
lira
e a
poesia
contemporânea
–
coordenação:
Tarso
de Melo
Em
2006 comemora-se – e é,
de
fato,
algo
a
ser
comemorado – o 50.º
aniversário
de
edição
do riquíssimo
livro
El
arco
y la
lira, do
poeta
mexicano Octavio
Paz
(1914-1998). Aproveitando a
efeméride, o
Observatório
do
poema
deste
ano
será dedicado a uma
tarefa
longa,
prazerosa
e
exigente:
realizar
a
leitura
integral
dessa
obra
de
Paz
lado
a
lado
com
alguns
dos
principais
textos
sobre
poesia
contemporânea
brasileira.
O
propósito
da
empreitada
é
aprofundar
as
discussões
sobre
questões
atuais
–
que
são
o
objeto
do
Observatório
já
há 19
encontros
–
com
o
auxílio
propiciado pelas
reflexões
de
um
grande
poeta
sobre
seu
ofício. O
famoso
livro
de Octavio
Paz
se defronta
com
uma
questão
gigantesca
sobre
a especificidade do poético:
há
um
modo
de
dizer
– a
poesia
–
que
não
pode
ser
reduzido a
qualquer
outro
?
Para
responder
a
tal
questão,
Paz
recorre a uma
erudição
impressionante,
cruza
os
séculos, investiga as transformações
do
fazer
poético,
mas
ainda
mais
impressionante
é a
leveza
com
que
suas
idéias
– e, se é
possível
separar,
seu
texto
sedutor
– perpassam os
imensos
obstáculos
que
se colocam
diante
de
qualquer
tentativa
de
reduzir
a
questão
e
confundir
poesia
(jogo
que
não
se conforma a
regras
) e
poema
(esse
“caracol
onde
ressoa a
música
do
mundo”).
El
arco
y la
lira
dá
conta,
assim, de
um
leque
imenso
de
dúvidas. É
estimulante
o
modo
como
sua
investigação
amarra
passado
e
presente,
Oriente
e
Ocidente, ao
descobrir
as profundas continuidades
entre
a
poesia
das
épocas
e
lugares
mais
distantes; os cinqüenta
anos
que
se passaram
desde
seu
lançamento
não
abalam (e a
leitura
detida
que
faremos será
importante
para
sustentar
a afirmação)
em
nada
a
relevância
da
contribuição
de
Paz
para
a
compreensão
das diversas
formas
atuais
de
manifestação
da
poesia.
Nosso
objetivo,
assim, será
seguir
o
pensamento
de
Paz
, apreendendo criticamente o
alcance
de
suas
reflexões,
para
alimentar
os
debates
sobre
a
produção
contemporânea.
Para
tanto, o
livro
de
Paz
foi dividido
em
dez
partes,
cuja
leitura
será acompanhada, a
cada
mês, de
um
texto
sobre
poesia
contemporânea
(ensaios
de
caráter
geral,
resenhas
,
depoimentos
de
poetas) e,
conseqüentemente, da
leitura
dos
livros
a
que
se referem
tais
textos
(ou, ao
menos, dos
poemas
referidos no
corpo
dos
ensaios
/
resenhas
).
Se
for
possível, ao
final,
descobrir
as
pontes
e os
abismos
entre
o
quadro
pintado
em
El
arco
y la
lira
e a
poesia
que
se fez no
último
meio
século
e aquela
que
se faz
hoje, o
Observatório
terá
dado
um
passo
tamanho. Se for
possível,
então,
imaginar
–
com
muita
petulância
e
algum
acerto
–
três
ou
quatro
linhas
que
Octavio
Paz
gostaria de
somar
a uma
edição
de
seu
livro
no
ano
de 2006, terá
dado
um
salto
.
Há
uma
edição
nacional
de O
arco
e a
lira,
lançada
em
1982,
mas
ela
atualmente
é de
difícil
acesso
: esgotou há
tempos
na
editora
e
raramente
aparece
nos
sebos.
Mais
fácil
de
encontrar
é a
edição
original
em
espanhol, da Fondo de
Cultura
Económica (que
publica as sucessivas
edições
da
obra
desde
a
primeira,
em
1956, e tem uma
livraria
em
São
Paulo – tel. 3672.3397). A
coletânea
de
ensaios
lançada
no Brasil
em
1971
sob
o
título
Os
signos
em
rotação
–
que
provavelmente está
em
catálogo
e é
mais
fácil
de
encontrar
nos
sebos
– contém
seis
dos quinze
ensaios
de
Paz
que
enfrentaremos;
além
do
próprio
“Os
signos
em
rotação”, traz
ainda
os
textos
“
Verso
e
prosa”, “A
imagem”, “A
consagração
do
instante”, “Ambigüidade
do
romance” e “O
verbo
desencarnado”.
Por
fim,
vale
lembrar
que
o
Observatório
continua sendo
um
grupo
aberto
de
debate
sobre
as
mais
diversas
questões
que
interessam ao
leitor
de
poesia
.
Pela
própria
natureza
das
discussões,
não
é
absoluta
a continuidade
entre
os
debates
mensais,
nem
é
obrigatória
a
leitura
prévia
dos
textos
selecionados
(por
mais
que
seja desejável e recomendável,
para
o
melhor
aproveitamento
de
nosso
tempo,
que
sejam lidos!).
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11
de março
- 16h |
Pensamento
atual:
Como
o
pensamento
de Sócrates, transmitido
por
seus
discípulos, pode
nos
ajudar
a
pensar
melhor
sobre
nossa
realidade? O
que
as
idéias
de Marx
ou
de Freud,
depois
de
tudo
que
já
foi
feito
e
desfeito
com
elas, têm a
contribuir
para
o
nosso
tempo?
Por
que
as
meditações
de Montaigne
ainda
são
fundamentais
para
o
nosso
entendimento?
Por
que
as
obras
de Paulo Freire, Florestan Fernandes,
Celso Furtado e Antonio
Candido
ainda
justificam
que
as busquemos
por
baixo
das
camadas
e
mais
camadas
de
livros
que,
em
tão
pouco
tempo,
já
as sucederam?
O
Alpharrabio, retomando
o
ciclo
IDÉIAS
DE
ENCONTRO,
agora
dedicado a
palestras
sobre
o
PENSAMENTO
ATUAL
de
autores
cujas
idéias
tiveram repercussão mundial, ajudará
você
a
lidar
com
essas
perguntas
que
muitos
têm
feito
, num
momento
em
que,
cada
vez
mais,
tudo
o
que
parecia
sólido
se
desmancha
no
ar
...
Filosofia,
política,
educação,
literatura,
enfim, a
vida
e
tudo
o
que
foi
objeto
da
reflexão
desses
pensadores
mudou
depois
deles. E
nossos
convidados,
todos
eles
acostumados à
profunda
convivência
com
as
obras
desses
autores, apresentarão ao
público
e debaterão as
principais
idéias
que
eles
defenderam, buscando
revelar
o
quanto
há de
atual, de
vivo, de (ainda) perturbador no
que
disseram.
Além
de
ser
uma
grande
oportunidade
para
aprender
sobre
alguns
dos
principais
pensadores
de
todos
os
tempos, o
ciclo
será
um
estímulo
à
reflexão
mais
firme,
mais
profunda,
com
olhos
mais
abertos,
sobre
nossas próprias
questões.
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11
março (sábado
– 16h)
Karl
Marx (1818-1883) (economista,
filósofo e socialista alemão e
autor, entre outros, de os Manuscritos
econômico-filosóficos, A
Miséria da Filosofia e O
Capital)
Convidado:
Antonio Rago Filho (Professor
Doutor do Departamento de História
da PUC-SP e da Fundação Santo
André)
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Idéias
de encontro
Pensamento
atual
21
fevereiro
(terça - 18h)
Montaigne (1533-1592)
Convidado
: José Mindlin
11
março
(sábado - 16h)
Karl Marx (1818-1883)
Convidado
: Antonio Rago Filho
13
de
maio
(sábado
- 16h)
Sócrates
(c470 a.C.
- 399a.C.)
Convidado
: Marcos Sidnei Eusébio
10
de
junho
(sábado
- 16h)
Paulo
Freire (1921-1997)
Convidado
:
Daniel
Pansarelli
12 de
agosto
(sábado
- 16h)
Sigmund
Freud
(1856-1939)
Convidado
: Siegfried Wehr
16
de
setembro
(sábado
- 16h)
Florestan
Fernandes
(1920-1995)
Convidado
:
João
Carlos de Morais
21
de
outubro
(sábado
- 16h)
Celso
Furtado
(1920-2004)
Convidada :
Rosa
Maria Vieira
11
de
novembro
(sábado - 16h)
Antonio
Candido (1918)
Convidada :
Vera
Lucia Vieira
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18
de março - 16 h
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Alta
Traição
Conversa
de Livraria
com Carlos
Felipe Moisés, a propósito
do lançamento do seu livro Alta
Traição
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O leitor
encontrará neste livro o resultado de 30 anos do exercício de tradução
de poesia. Não há, portanto, uma linha condutora, tampouco uma intenção
explícita na escolha de poetas e poemas, mas o cuidadoso e apaixonado
trabalho com a palavra, com as imagens, os ritmos, as estruturas
complexas de som e de sentido. Traduzir poesia é um dos grandes
desafios do poeta contemporâneo, não apenas pela conexão
fundamental com outras culturas, gerando um diálogo fértil para a própria
criação, mas especialmente pela atitude crítica que está na raiz
da seleção dos textos e na manufatura, no melhor sentido artesanal
do termo, da conversão de um universo semântico para outro.
O poeta e ensaísta Carlos Felipe Moisés dispensa apresentações.
Sua extensa obra poética, de crítica literária e de tradução,
testemunha seu compromisso incontestável com o saber humanístico, o
que se desdobra em sua constante atividade no ensino universitário.
Foi professor na USP, em Berkeley (Califórnia) e atualmente integra o
corpo docente do mestrado interdisciplinar da Universidade São
Marcos.
O conjunto de poetas reunidos neste livro é amplo e instigante, pois
inclui desde os "retratos" de Marcel Proust e a irreverência
de Alfred Jarry, à força discursiva de Vicente Aleixandre e Luís
Cernuda; da densidade imagética de W. H. Auden, à prosa poética de
René Char. Além desse variado "cardápio" estilístico, há
gratas surpresas, como os poemas de Rosanna Warren, Henri Michaux,
Robert Desnos, Reed Whittemore e José Emilio Pacheco, de modo que o
leitor tem a rara oportunidade de encontrar, lado a lado, grandes
vozes do século XX. E as surpresas não terminam aí. Carlos Felipe
nos apresenta a jovem poeta norte-americana Carolyn Creedon, que
trabalha como garçonete em San Francisco e permanece inédita em
livro no seu país. A poesia da garota é deslumbrante e merece
destaque nesta antologia.
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