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Transversal
do Tempo (Recife: Fundação de
Cultura da Cidade de Recife, dezembro de 2002) - Prêmio Jordão
Emerenciano, de ensaio, da Prefeitura de Recife),
dez ensaios sobre literatura, escritos por poeta e contista, dirigidos ao
público não acadêmico. Conforme o prefaciador, este livro não cai no
despropósito da maioria da crítica de infernizar o leitor com tiques
acadêmicos ou jornalísticos: o tom é de uma conversa inteligente. Entre
os autores estudados, estão Lucrécio, Jorge Manrique, Montaigne, Luis de
Góngora, Vico, Fernando Pessoa, Marcel Proust, Pedro Nava, Francis Ponge
e Ezra Pound.
Rodrigo
Petronio nasceu em 1975, em São Paulo. Mora em Santo André.
Formou-se em Letras pela USP, onde atualmente desenvolve projeto de
mestrado em Literatura Espanhola sobre a obra de Luis de Góngora.
Trabalha com tradução e edição de livros. Escreveu textos críticos
para a revista Bravo! e para
sites de literatura. Atualmente trabalha na Folha de S. Paulo, e
colabora com regularidade para as revistas Trópico e
Continente Multicultural, e para os jornais Rascunho, Estado
de Minas, Jornal do Brasil e O Globo. No ano de 2000 recebeu o
prêmio Nascente da USP nas categorias Prosa, com o livro de contos Anavarata,
e Poesia, com obra intitulada Eco,
ambas ainda inéditas. Em 2001, recebeu o prêmio Guimarães Rosa de
contos, de âmbito internacional, e o prêmio literário Jordão
Emerenciano da Secretaria de Cultura de Recife, com o livro de ensaios Transversal
do Tempo, publicado pela Imprensa Oficial de Pernambuco. Em 2002, foi
congratulado com o prêmio nacional Cataratas, recebeu Menção Honrosa no
Prêmio Nacional de Literatura, promovido pela União Brasileira de
Escritores (UBE), e no Prêmio Carlos Drummond de Andrade. Integra a
antologia Rattapallax de novos poetas brasileiros, a ser publicada nos EUA
em 2003. Tem ensaios, poemas e contos publicados nas revistas Cacto,
Agulha, Banda Hispânica, Cult, Gargântua,
Loquens e Magma. É autor do livro de poemas História
Natural, publicado pelo selo Gargântua.
www.rodrigopetronio.hpg.ig.com.br
Elegante,
erudito, equilibrado
Dirceu
Villa
Elegante,
porque escrito numa linguagem sem pompa nem truques baratos; equilibrado,
porque conduz com gosto e tranqüilidade os temas que aborda; erudito,
porque ficamos surpresos com a facilidade e a propriedade com que apóia
sua argumentação em exemplos, sempre sagaz; agradável de se ler porque
não pesa em momento algum, não cai no despropósito da maioria da crítica
de infernizar o leitor com tiques acadêmicos ou jornalísticos: o tom é
o de uma conversa inteligente.
É
oportuno saber que se trata de livro de poeta e contista. O ponto de vista
particular que expressa e as escolhas que faz estão relacionados ao fato
imprescindível de termos um poeta e prosador dividindo suas leituras
conosco. Petronio escreveu e publicou História Natural (1999), um
ótimo livro de poemas, foi premiado por seu livro de contos, Anavarata,
e pelo novíssimo Eco, com seus novos poemas. Sua crítica tem sido
publicada, até agora, na Internet e no suplemento literário Rascunho,
e apenas esparsamente. O prêmio Jordão Emereciano, que recebeu por este Transversal
do Tempo, nos trouxe enfim alguns deles em edição, acrescentando
mais um poeta à tradição de autores como Eliot, Borges e Paz, com quem
sua ensaística revela ter pontos de contato. Aqueles que mencionei na
primeira linha.
Para traçarmos um brevíssimo panorama, basta dizer que, como o título
deste livro indica, a mira incide sobre um conjunto de autores separados
por línguas, culturas, tradições e épocas muito diversas, que
comparecem em ordem cronológica e quase sempre numa proposta monográfica
em cada capítulo (a única exceção é a do capítulo em que investiga
as relações entre o memorialismo de Pedro Nava e Proust). Teremos um
arco que se estende de Lucrécio a Ezra Pound, e, terminando o livro,
ficamos mais esclarecidos a respeito de cada um dos autores. Montaigne tem
o ponto de sua curiosa individualidade, na inauguração do gênero
ensaio, defendida com a convicção que encontramos nos bons leitores;
Pound recebe um ensaio importante em português, sobre Mauberley; o
Siglo de Oro espanhol ganha mais um leitor atento (Petronio tem
trabalhado numa tese sobre Góngora).
Enfim,
é disso que se trata.
Espero ter definido o traçado geral do belo livro de Rodrigo
Petronio e ter cativado a sua simpatia, leitor, para com ele. Evidente
que, como todo prefácio a um bom livro, este comporta um tanto de vestíbulo
e redundância. De resto, não deve ter tamanho para ser enfadonho. Boa
leitura.
Dirceu
Villa
Inverno de 2002
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