O
“
Observatório
do
poema
” consiste num
grupo
aberto
de
leitura
e
debate
sobre
poemas
contemporâneos
cuja
interpretação
dê
margem
não
só
a questionamentos
próprios
da
poesia
,
mas
também
a
repensar
algumas
visões
de
mundo
que
,
não
questionadas, acabam se consolidando.
Ou
melhor
,
poemas
que
sejam
capazes
de
apresentar
visões
de
mundo
que
lancem
seu
interesse
para
muito
além
de
suas
fronteiras
(
característica
,
ademais
, de
toda
boa
poesia
) e
que
,
bumerangues
, retornem
sempre
para
o
poema
.
E
com
isso
não
se afirma
que
o
poema
é
mais
interessante
pela
habilidade
que
possui de
apontar
para
coisas
fora
de
si
,
mas
,
pelo
contrário
,
que
seu
interesse
está
justamente
no
modo
como
consegue
trazer
as
experiências
da
vida
para
a
poesia
. Nesse
jogo
, de
apontar
e se
apropriar
, o
poema
é
quem
sai ganhando, invariavelmente.
A
idéia
do
grupo
,
portanto
,
parte
da
convicção
de
que
um
poema
contém
apenas
e tão-somente
poesia
,
mas
que
normalmente
o
que
se
chama
de
poesia
é
muito
menos
do
que
a
poesia
,
nos
poemas
, consegue
ser
.
Tal
exercício
visa
,
enfim
,
atacar
dois
preconceitos
bastante
compartilhados: (I)
que
a
poesia
só
interessa (e
só
é
acessível
) aos
poetas
e (II)
que
a
leitura
crítica
é
coisa
para
especialistas
,
eruditos
,
poucos
. (
Claro
,
não
serve
para
abalá-los o
outro
extremo
da
corda
– de
que
o
poema
é
apenas
aquilo
que
o
leitor
queira
fazer
dele. No
plano
da
leitura
,
entre
a
extrema
especialização e a
extrema
diluição
no
subjetivo
, o
poema
se perde – daí
que
o
investimento
do
leitor
deva
ser
mais
complexo
.)
Se
é
óbvio
que
a
leitura
do
poema
,
em
cada
pessoa
, corresponde ao
repertório
pessoal
em
que
os “
dados
” do
poema
serão
lançados (seguindo-se
harmonias
e
choques
inesperados
),
não
é
aceitável
que
essa
relação
,
naturalmente
rica
, possa
ser
assassinada
pela
convicção
de
que
para
ler
poesia
é
necessária
uma
formação
específica
.
Cada
poema
traz
em
si
uma
realidade
: uma
referência
obscura
no
texto
deve
funcionar
obscuramente
frente
à
interpretação
,
ou
seja, muitas
vezes
,
quando
esclarecida
, perde
sua
função
.
Estão,
assim
, na
expressão
“
Observatório
do
poema
”,
tanto
a
sugestão
de
um
lugar
em
que
se observa o
poema
,
quanto
a do
poema
como
lugar
a
partir
do
qual
se observa a
realidade
criticamente (e
um
outro
preconceito
a
ser
atacado
, nesse
sentido
, é o de
que
ler
poesia
serve
apenas
para
ler
poesia
e
que
o
ciclo
aí
se
encerra
).
regras
do
jogo
O
coordenador escolhe, a
cada
encontro
,
um
ou
dois
poemas
contemporâneos
e o(s) repassa aos
demais
participantes.
Junto
com
o
poema
,
serão
enviados
pequenos
trechos
de
comentários
que
, de alguma
forma
,
com
ele
se relacionem, seja
por
razões
diretamente
poéticas
(
crítica
,
teoria
,
depoimentos
de
autores
), seja
por
razões
temáticas
, culturais,
conjunturais
(
história
,
filosofia
,
sociologia
etc.).
Os
trechos
,
portanto
, devem
ser
considerados
apenas
como
provocação
para
leitura
do
poema
sob
determinados
aspectos
e,
mais
que
isso
,
indicação
de
leitura
de
todo
o
texto
de
onde
se destacou o
trecho
,
bem
como
de
outros
autores
.
Com
isso
, é
possível
antecipar
algumas
indagações
e
aproveitar
melhor
o
tempo
da
conversa
.
No
encontro
, os participantes devem
apresentar
a
folha
em
que
cada
poema
está
impresso
, anotando nela a
sua
leitura
do
poema
. As
folhas
,
então
,
serão
trocadas
entre
os participantes e
cada
um
falará
um
pouco
sobre
o
que
leu no
poema
em
relação
aos
trechos
(e, se
possível
,
textos
) indicados, às
suas
impressões
pessoais
e,
além
disso, se posicionará
em
relação
às anotações da
folha
alheia
que
tiver
em
mãos
.
A
participação é
livre
e a
única
exigência
é de
que
todos
tenham lido e
anotado
algum
comentário
a
respeito
do
poema
. Imagina-se,
assim
,
que
esse
exercício
coletivo
de
leitura
possa
colaborar
para
uma
melhor
compreensão
da
poesia
e de
suas
interfaces
. E
que
, se será
inicialmente
difícil
, aos
poucos
haverá
maior
desenvoltura
nos
comentários
e,
conseqüentemente
,
maior
proveito
no
convívio
com
a
literatura
.
Os
encontros
serão
quinzenais
(aproximadamente), nas
manhãs
de
sábado
(das 10h às 12h), na
Livraria
Alpharrabio. O envio dos
poemas
(e dos
trechos
de
provocação
à
leitura
) será
feito
com
, no
mínimo
, uma
semana
de
antecedência
;
por
email,
para
que
cada
um
imprima
seu
próprio
material
e convide outras
pessoas
a
participar
.