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NAS
ESCUMAS
DA
MEMÓRIA
Reconhecido
como
educador
e
intelectual
participante, Alexandre Takara há
tempo
vem sendo cobrado
por
amigos
e
admiradores
para
publicar
suas
memórias
.
As
cobranças
aumentaram
após
a publicação de
Além
da
prosaica
realidade
(Alpharrabio, 2001),
um
quase
diário
abrangendo
todo
o
ano
de 1999,
onde
o venerado
mestre
de várias
gerações
de
estudantes
já
delineava
suas
memórias
improvisadas,
que
em
Entremundos
ganham outras
dimensões
com
o
homem
de
idéias
e
ação
se deixando
conduzir
mais
pelo
coração
e
pela
memória
,
através
de uma
escrita
de
si
marcadamente confessional.
Assim
,
já
no
prefácio
o
autor
confessa
que
“A
escuma
ou
as
memórias
são
importantes
porque
marcam
suas
presenças
nos
arquivos
e
documentos
”, completando no
pós-escrito
: “E as
lembranças
são
migalhas
da
minha
existência
-
que
sobreviveu ao
esquecimento
”.
Composto
de
cinco
partes
– A
Cidade
e a
Arte
,
Educação
e
Cultura
,
Crônicas
,
Viagens
e Os
Prazeres
da
Mesa
–, Entremundos
é,
em
síntese
, uma
deliciosa
miscelânea
abrangendo relatos
sobre
a
cidade
de
Santo
André,
cartas
reveladoras de
seu
relacionamento com seus alunos,
crônicas
apontando
seus
gostos
artísticos
,
viagens
com
destaque
para
sua
primeira
visita
a Paris,
cidade
que
“
já
conhecia
sem
ter
ido
”,
por
conta
de
sua
iniciação
intelectual
sob a égide da
cultura
francesa,
principalmente
a
leitura
de Os
Miseráveis
, de Victor Hugo.
Memórias
improvisadas,
escrita
de
si
,
crônica
,
qualquer
que
seja a classificação
que
se
dê
a
este
livro
instigante
do
mestre
Alexandre Takara, Entremundos é
também
a
biografia
intelectual
de
um
autor
que
revela
generosidade
em
tudo
o
que
escreve, revelando,
também
,
seu
grande
poder
de
comunicação
,
que
seduziu
tantos
discípulos
e
certamente
seduzirá os
leitores
.
Antonio
Possidonio Sampaio
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