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DEZEMBRO/ 2004

 

 

 04 de dezembro - (sábado) 16 h 

CINEMA BRASILEIRO ATUAL: CULTURA E SOCIEDADE 

 

Filme que será exibido:

neste sábado, 4.12, às 16h, "O Invasor", de Beto Brant

Debatedor: Prof. Humberto Pereira da Silva

Debatedor convidado: Prof. Roberto Noritomi

idéia do prof. Humberto Pereira da Silva, coordenador do ciclo, é propiciar debates sobre o modo como aspectos da cultura, em especial os novos ritmos musicais, estão sendo incorporados em filmes recentes do chamado Cinema da Retomada; e, por conseguinte, que relações se pode fazer da incorporação da música com as questões sociais. Assim, um ponto interessante a ser debatido diz respeito à trilha musical dos filmes que serão exibidos e comentados. 

Alguns questões que serão abordadas: na década de 60, o Cinema Novo incorporou cinema, cultura e sociedade para discutir os rumos do país, isso acontece no cinema da Retomada? Na década de 60 os filmes tinham um perfil "cabeça", para iniciados, portanto, os filmes atuais dialogam de forma mais tranqüila com o grande público? Os filmes da Retomada refletem os grandes debates sociais dos dias de hoje?  

Filmes que serão exibidos nos dias 4 e 11.12:

4.12.2004 - "O Invasor", de Beto Brant

11.12.2004 - "Bicho de Sete Cabeças", de Lais Bodansky.   

Para debatedores, além do próprio coordenador, Humberto Pereira da Silva, foram convidados Roberto Tadeu Noritomi, professor de Sociologia na Fac. Sumaré e na Facamp. É doutor pela USP com uma tese sobre cinema e Ramon Vilarino, professor de Sociologia na Fac. Sumaré e na PUC-SP. É doutorando pela PUC-SP e tem mestrado sobre música e política no Brasil nos anos 60.

 O programa está assim dividido:

Apresentação inicial dos debatedores e uma nota sobre os filmes e o objetivo do evento pelo professor Humberto, e em seguida, o filme será exibido. Depois da exibição, serão apresentadas aos debatedores as questões propostas pelo coordenador para o debate entre os debatedores e o público presente. 

 

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11 de dezembro - (sábado) 16 h

CINEMA BRASILEIRO ATUAL: CULTURA E SOCIEDADE

 

"Bicho de Sete Cabeças", de Lais Bodansky.  com o debatedor convidado Ramon Vilarino, professor de Sociologia na Fac. Sumaré e na PUC-SP. É doutorando pela PUC-SP e tem mestrado sobre música e política no Brasil nos anos 60.

Apresentação inicial dos debatedores e uma nota sobre o filme e o objetivo do evento pelo professor Humberto, e em seguida, o filme será exibido. Depois da exibição, serão apresentadas aos debatedores as questões propostas pelo coordenador para o debate entre os debatedores e o público presente. 

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18 de dezembro - (sábado) 10 h

OBSERVATÓRIO DO POEMA

leituras de texto / contexto contemporâneo

Edição especial de balanço / projeção

a produção poética do ano de 2004

   A oitava edição do “Observatório do poema” – no dia 18 de dezembro, às 10h, a encerrar as atividades do Alpharrabio em 2004 – será um pouco diferente: desta vez, ao invés da discussão centrada especificamente em um ou dois poemas, estarão sob os olhos dos participantes (e aqui está uma metáfora!) um conjunto maior de textos: aqueles que compõem a “produção poética brasileira de 2004”. Esta expressão será tomada num sentido amplo e abrangente não só dos livros de poesia, mas daquilo que se fez ao redor deles, como revistas, eventos, resenhas etc. Enfim, a proposta é fazer um balanço (não sistemático) da atmosfera poética do ano que acaba, com intenção de tirar daí, até, alguma projeção para o “Observatório do poema” do próximo ano.

2004 foi um ano de lançamentos importantes em poesia. Além dos novos números de revistas de poesia e crítica de poesia (como Inimigo Rumor, Cacto, Babel, Rodapé e a virtual Zunái), surgiram novas revistas (como Jandira e Oroboro) e foram lançados diversos livros de poetas estreantes e de outros com mais tempo de estrada. Entre as estréias, destaque para a coleção “Guizos” da editora carioca 7Letras, que lança os nomes de Diego Vinhas e Annita Costa Malufe. Também pela “Guizos”, Heitor Ferraz Mello lançou Coisas imediatas, reunindo um livro novo e seus livros anteriores. Entre os poetas que foram objeto do “Observatório”, Francisco Alvim teve toda sua obra relançada, saiu a segunda edição das Galáxias de Haroldo de Campos, Eucanaã Ferraz lançou um novo livro, Rua do mundo. Enfim, há muita coisa sobre o que se debruçar.

Claro, a visão que podemos ter desse conjunto todo é parcial: diariamente pipocam Brasil afora edições de poesia, em livros, revistas, jornais, internet. Logo, o balanço possível é do recorte. Mas há um sentido em fazê-lo ainda que sabidamente com alcance limitado: a proposta do “Observatório do poema” é justamente ler de modo profundo, mais do que global. Ou seja, acredita-se que há mais proveito na leitura detida de poucos textos do que no passeio panorâmico por um infinito de textos, este que normalmente implica em superficialidade.

Para enriquecer mais a coisa, é interessante que os participantes levem também os livros e revistas de poesia, lançados neste ano, que chamaram sua atenção, a bem ou mal... Entretanto, advirta-se que a conversa, obviamente, não está presa irremediavelmente ao conhecimento dos diversos livros que compõem a “produção poética brasileira de 2004”. Porque certamente a conversa será também bastante útil para quem, daquela produção, pouco conhece, valendo como uma apresentação geral de autores e obras para divertir as férias que se aproximam...

Mas nesta edição diferente do “Observatório do poema” uma coisa é mantida: a conversa será provocada por trechos de textos críticos, que seguem abaixo, para prévia reflexão.

 

 

PROVOCAÇÕES À LEITURA

 

 

Retorno à literatura

Nas aulas que ministro de literatura comparada, sempre ocorre um ritual incômodo. No início de cada semestre, busco identificar o repertório de leitura dos alunos, a fim de estabelecer o diálogo intertextual que justifica a disciplina. Contudo o resultado da iniciativa é melancólico. Machado de Assis? Talvez tenham lido Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e uma magra seleção de contos. Guimarães Rosa ? Sim, ‘ouviram’ falar afinal, o curso é breve; porém é interminável a travessia do sertão rosiano. Poetas ? Quase todos fazem versos, mas poucos buscam a chave do poema.
Na pós-graduação, o saldo é semelhante. O necessário viés da especialização transformou-se em vício. Formam-se doutores em crítica e teoria literária que não conseguem sustentar uma hora de conversa descontraída sobre autores de sua estima. Ou seja, aqueles cujas obras provocam um impacto considerável, mas sobre os quais não se escrevem dissertações, ensaios, resenhas: produtos que engordem o curriculum vitae.
Precisamente por isso, em primeiro lugar, alunos de letras precisam se familiarizar com a própria literatura. Sem dúvida, a reflexão teórica sobre o fenômeno literário é indispensável, mas se torna ociosa se não estiver associada à leitura dos textos. Em geral, a prática analítica e o ensino reduziram a literatura ao papel de confirmação de teorias.
O futuro dos estudos literários encontra-se no retorno à literatura. Necessitamos recuperar sua dimensão antropológica. Na companhia de Madame Bovary também somos Emma Bovary. Riobaldo revela nossas dúvidas sobre o que se pode saber e o que jamais se descobrirá – ou apenas quando for muito tarde. Com o narrador de A Hora da Estrela, compartilhamos a angústia de inventar pontes que permitam compreender o ‘outro’. Tal processo não supõe uma identificação banal, mas destaca a força da literatura como laboratório de experiências sobre os sentidos do humano e a riqueza da linguagem.
Precisamos recuperar a experiência radical de descentramento à volta da biblioteca. Ou ao redor do quarto, nas memórias póstumas do texto que terminamos. Rimbaud traduziu a força desse gesto: ‘ Eu é um outro ’– definição precisa da experiência renovada a cada leitura. ‘ Antropologia literária’, na formulação cortante de Wolfgang Iser. Precisamos, então, nas palavras de Hans Ulrich Gumbrecht, ‘ recuperar os poderes da filologia’. Isto é, reaprender a ensinar o ofício da leitura de textos literários. Ofício ingrato: não importa o tempo de prática, nunca se sabe se a próxima análise será fecunda. Porém, como esclareceu Paul Valéry, ‘o prazer da leitura reside em sua dificuldade’.  

João Cezar de Castro Rocha caderno Mais !, Folha de S. Paulo, 28.11.2004

[ Matéria : “ Lacunas brasileiras” – tema : “ crítica ”]

 

Limbo Mas se os critérios de valor variam de pessoa para pessoa, como se pode saber se uma obra tem qualidade ou não, se ela apreende ou não esse ‘conteúdo de verdade’?

Lafetá – A discussão do valor é uma coisa extremamente complicada. Eu acho que não existe crítica que possa, realmente, dizer com absoluta certeza o que é bom ou ruim . Nesse sentido, a crítica flutua em boa dose de subjetividade. E qualquer dogmatismo pode representar um perigo . Tomemos um exemplo concreto . Lukács, um grande crítico literário , possui o seguinte conceito de crítica : buscar na obra literária a adequação entre a concepção de mundo do autor, que é o centro da forma, e a verdade objetiva do desenvolvimento histórico . O critério para se dizer se uma obra é boa, ou não , é a adequação dessa concepção-de-mundo à verdade do movimento da história. Pois bem, para Lukács, Balzac possui uma grande forma literária pois conseguiu apreender nela a objetividade profunda da história. Zola, assim como os outros naturalistas, foi um escritor que não saiu da superfície dos fatos, não compreendeu sua dinâmica e, por isso mesmo, não conseguiu apreender sua verdade. Entretanto, para Auerbach, outro grande crítico , justamente Germinal de Zola é uma grande tragédia histórica, que apreende bem a verdade de seu tempo e possui também uma forma artística admirável .

Limbo Mas, afinal, o que seria esse conteúdo de verdade’? Seria a fidelidade do autor em retratar o seu tempo como ele é ou seria a intenção de traçar com fidelidade os seus sentimentos diante do mundo ?

Lafetá é que está. Para Auerbach o critério de verdade é um, para Lukács é outro. Então vocês perguntam: isso é subjetivo ? Sim , decerto . Mas o que são subjetividade e objetividade ? tocaríamos na questão complicada das relações entre sujeito e objeto, discussão longa , que eu preferia não ter de fazer ... É um dos pontos mais importantes da teoria do conhecimento, mas não vamos entrar por . O que para constar na prática da crítica, na atribuição do valor à obra literária, é que existe mesmo uma dose muito grande de arbítrio. O próprio Lukács, lidando com um escritor contemporâneo como Kafka, condena toda a obra dele em nome do mesmo princípio que usou para criticar o Naturalismo . Então a gente que ali tem alguma coisa de errado. O último grande escritor, então, foi Balzac? Isso é muito forte.

Limbo O ponto de partida em termos de conteúdo não deveria ser a tentativa de captar o mundo, o ser humano em toda sua riqueza, e a necessidade de se posicionar ideologicamente, tentando dar um pouco de sentido a essa vida , tentando construir um mundo mais decente, melhor ?

Lafetá Não acho que a intenção de criar um mundo melhor seja necessária para se produzir uma boa obra de arte . Essa intenção não está no artista, está no político. É preciso fazer, como Gramsci, uma distinção entre o político e o artista: são duas raças distintas e freqüentemente em conflito . A concepção de tempo, de progresso, a noção de história que o político tem é uma, a do artista é outra . Não se deve confundir as duas coisas, pois induz em erro . Você não pode exigir que um Kafka, por exemplo, tenha a mesma concepção da vida de um Lênin. São coisas diferentes, são atitudes intelectuais diferentes diante da realidade . O que se pode verificar de comum entre ambos é o desejo de ver a realidade como ela é de fato. Então, mesmo um Kafka, não tendo a intenção de melhorar o mundo, ele tinha, na verdade, a intenção de representar o mundo como este lhe parecia ser .

Limbo Sentindo-se mal dentro dele...

Lafetá Sim , sentindo-se mal e botando o dedo onde ele estava se sentindo mal .

Limbo E com isso dando uma visão crítica de seu tempo , isto é, através da negação daquilo que ele exibe, dando a você a idéia do que é isso ? 

Lafetá Exatamente. E esse é um ponto importante. Hoje, se o artista faz uma literatura apologética, com certeza sua obra vai fracassar. Isso porque a negação do mundo , do que existe de errado nele, é a condição essencial do trabalho artístico . Não quanto à intenção, ao objetivo político, mas sim quanto à necessidade de representar a realidade desse tempo . Para isso o artista tem obrigatoriamente que tomar o caminho da negatividade. É por esse motivo que a literatura apologética, como realismo socialista , afunda vergonhosamente . Fracassa porque não é capaz de aprofundar a descrição social pelo lado da negatividade. Torna-se uma literatura de superfície, de elogio, de tudo vai bem no melhor dos mundos, quando isso não é verdadeiro ”.

 

João Luiz Lafetá Entrevista: transcrição de uma conversa com alunos em 1978”  

in A dimensão da noite. Org. Antonio Arnoni Prado . São Paulo: Editora 34, Duas Cidades, 2004.

 

 

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