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Observatório
do
poema
[XVII]
leituras
de
texto
/
contexto
contemporâneo
Coordenação
:
Tarso
de Melo
Décimo
sétimo
encontro
do
grupo
aberto
de
leitura
,
que
se reúne
mensalmente
no Alpharrabio
para
discutir
, a
partir
de
ensaios
e
poemas
escolhidos previamente,
questões
importantes
para
a
compreensão
da
poesia
contemporânea
. O
ensaio
em
que
se concentrará a
discussão
, desta
vez
, é “A
tensão
na
poesia
”, de Allen Tate (
em
Teoria
da
literatura
em
suas
fontes
, 3.ª ed., v. 2, pp. 621-638, RJ:
Civilização
Brasileira
, 2002). Sugiro
também
a
leitura
de
outro
ensaio
interessante,
recentemente
publicado: “
Poesia
e
matéria
”,
em
que
Marcelo
Coelho
estuda
a
poesia
de Francis Ponge (in
Poetas
que
pensaram o
mundo
. Org. Adauto Novais. SP:
Cia
. das
Letras
, 2005).
Por
fim
, os
poemas
escolhidos neste
mês
são
dos
novos
livros
da
carioca
Claudia Roquette-Pinto e do
paraense
Antonio
Moura
,
que
podem
nos
ajudar
a
direcionar
(e a
multiplicar
) a
discussão
das
idéias
apresentadas
nos
ensaios
. Boas
leituras
,
abraço
,
Tarso
.
(1) É
importante
ressaltar
que
a participação
nos
encontros
do “
Observatório
do
poema
” é
livre
e
independente
da
leitura
prévia
dos
textos
selecionados
,
pois
as
discussões
não
são
exatamente
presas
à
letra
do
ensaio
,
mas
apenas
partem de
suas
idéias
para
avançar
na
compreensão
de
questões
que
interessem a
todo
leitor
de
poesia
.
(2)
Além
do
acervo
de
sebo
e de
suas
próprias
edições
, a
livraria
Alpharrabio
passa
a
disponibilizar
,
mediante
encomenda
,
títulos
de diversas
editoras
de
todo
o Brasil.
Para
saber
as
condições
e
outros
detalhes
,
entre
em
contato
com
a
livraria
,
pessoalmente
,
por
telefone
[4438.4358]
ou
email [alpharrabio@alpharrabio.
com
.br].
ANTONIO
MOURA
Rio
Silêncio
[
São
Paulo: Lumme, 2004, p. s/n]
RESIDÊNCIA
Ao
pisar
o
jardim
da
casa
cuidado
para
não
afundar
os
pés
até
os
tornozelos
fincando
fundas
raízes no
chão
, apegado
ali
,
estátua
plantada
entre
flores
,
não
haverá
como
ir
ao
mar
quando
assolado
pelo
verão
,
nem
voltar
ao
calor
do
leito
se
flagelado
pelo
inverno
Vivemos
partindo de uma
morada
que
se ergue
em
todo
lugar
com
telhas
de
nuvem
e
paredes
de
vento
Não
há o
que
abandonar
quando
,
caracol
inverso, levamos a
casa
dentro
CLAUDIA
ROQUETTE-PINTO
Margem
de
manobra
[RJ:
Aeroplano
, 2005, pp. 11/12]
SÍTIO
O
morro
está pegando
fogo
.
O
ar
incômodo
,
grosso
,
faz
do
menor
movimento
um
esforço
,
como
andar
sob
outra
atmosfera
,
entre
panos
úmidos
,
mudos
,
num
caldo
sujo
de
claras
em
neve
.
Os
carros
, no
viaduto
,
engatam
sua
centopéia
:
olhos
acesos
,
suor
de
diesel
,
ruído
motor
,
desespero
surdo
.
O
sol
devia
estar
se pondo,
agora
–
mas
como
confirmar
sua
trajetória
debaixo
desta
cúpula
de
pó
,
este
céu
invertido?
Olhar
o
mar
não
traz
nenhum
consolo
(se
ele
é
um
cachorro
imenso
,
trêmulo
,
vomitando
uma
espuma
de
bile
,
e
vem
acabar
de
morrer
na
nossa
porta
).
Uma
penugem
antagonista
deitou
nas
folhas
dos
crisântemos
e
vai escurecendo,
dia-a-dia
,
os
olhos
das
margaridas
,
o
coração
das
rosas
.
De
madrugada
,
muda
na
caixa
refrigerada,
a
carga
de
agulhas
cai queimando,
tímpanos
,
pálpebras
:
O
menino
brincando na
varanda
.
Dizem
que
ele
não
percebeu.
De
que
outro
modo
poderia
ainda
ter
virado
o
rosto
: “
Pai
!
acho
que
um
bicho
me
mordeu!”
assim
que
a
bala
varou
sua
cabeça
?
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